quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

Visita pastoral: "Combater os erros, amar as pessoas."

Sua Reverência, D. Antonino Dias, Bispo da diocese de Portalegre-Castelo Branco, iniciou no dia 8 de Dezembro, dia da Imaculada Conceição, Padroeira de Portugal, uma visita pastoral à paróquia de Cardigos.

A visita iniciou-se com a celebração da Eucaristia na Igreja Matriz de Cardigos repleta de povo. Na homilia, D. Antonino, referiu que a visita pastoral deveria constituir o pretexto para todos levantarem a si próprios algumas questões: “Que espécie de cristão eu sou? Que tipo de família é a minha? Que comunidade eu ajudo a construir?”. Partindo de uma reflexão sobre a importância do silêncio na vida dos cristãos e da ideia de pecado como causa dos males individuais e sociais, Sua Reverência deixou alguns registos que, pelo seu impacto, ficaram na memória das pessoas: “Deus fala-nos no silêncio e só os medíocres têm medo dele”, “Muitas vezes fazemos da igreja (edifício) uma agência funerária”, “Há necessidade de assumirmos a responsabilidade pelos nossos actos”, “Pedir perdão deve ser um acto eclesiocêntrico”, “Temos de fazer o presépio no coração”... Foi uma mensagem forte que, pela sua simplicidade e importância, tocou o coração e a razão de todos.


Na Igreja Matriz de Cardigos (manhã)

Depois do almoço, D. Antonino Dias, sempre acompanhado pelo pároco José António, e mais tarde pelo Cónego Lúcio Alves Nunes, visitou o Carvalhal, as Casas da Ribeira, os Colos, os Casais de São Bento (onde o Eng. Louro, vereador da C. M. Mação, lhe deu conhecimento do projecto de recuperação da casa onde nasceu o Padre Silva Tavares), Chaveira e Chaveirinha, Casalinho, Roda, Moita Ricome, Freixoeiro, Pracana da Ribeira e Azinhal.

Em todos os lados foi recebido carinhosamente pelas populações. Promoveu o diálogo, questionou as pessoas, deu respostas… Foram significativas as queixas recorrentes da falta de Missas nas capelas locais e a alegria em receberem, muitas pela primeira vez, um Bispo nas suas aldeias. A todos D. Antonino respondeu com amabilidade e clareza, não escondendo as dificuldades da falta de sacerdotes.

Incitou as pessoas a nunca desistirem, a reunirem-se regularmente nas capelas, mantendo-as como locais de culto, mas também como locais de convívio comunitário. Chamou a atenção para a importância da solidariedade nos meios rurais e para a necessidade de combater os erros e não as pessoas. Alertou com alguma insistência para a necessidade das comunidades estarem atentas e resistirem à ameaça de novas seitas religiosas.

A pedido de familiares, visitou alguns enfermos. Foi notória a forma e o à vontade com que cumprimentava e dialogava com as crianças. Encantou a todos com o seu apurado sentido de humor.


No Carvalhal


No Casalinho


Na Roda

No final do dia reuniu com as pessoas mais directamente ligadas aos assuntos da paróquia.

Todas as fotografias, podem ser vistas no álbum "Visita Pastoral 2009" da nossa galeria de fotos. Clique aqui.

domingo, 6 de Dezembro de 2009

Visita pastoral

O Senhor Bispo da Diocese de Portalegre-Castelo Branco, D. Antonino Dias, vai realizar uma visita pastoral pela paróquia de Cardigos programada para os próximos dias 8, 9,11 e 13 do mês corrente.

No que aos Vales diz respeito, e de acordo com o programa que se anexa, será celebrada missa na capela de S. Jacinto, dia 9, pelas 19h 30m e fará uma visita ao Lar, dia 11, pelas 18h.

O ValesCardigos.net vai estar atento e fará a cobertura possível do evento. Segue-se o programa.



Dr. Luís M. Martins em entrevista ao JN

Já diversas vezes aqui falámos do nosso conterrâneo Luís M. Martins, advogado em Lisboa, cujo negócio se encontra em expansão para outras zonas do país.

Recentemente foi entrevistado pelo Jornal de Notícias, "entrevista" essa que pode ser lida já de seguida.

Processos de insolvência raramente salvam firmas

Decisões judiciais favoráveis à recuperação de empresas foram inferiores a 1% em 2007 e 2008.

As probabilidades de um processo de insolvência resultar na aprovação de um plano de recuperação de uma empresa são quase nulas. Em 2007 e 2008, apenas 0,12% dos processos finalizados tiveram decisões judiciais nesse sentido.

É quase que uma missão hercúlea. Contam-se pelos dedos as empresas que tenham entrado num plano de recuperação, em resultado de um processo de insolvência decidido em tribunal.

Dados do Ministério da Justiça relativos a 2007 e 2008, a que o JN teve acesso, revelam que, entre as quase 9000 insolvências julgadas nos tribunais de primeira instância nestes dois anos, apenas 11 casos viram a decisão judicial aprovar um projecto de viabilização do negócio em causa, ou seja, uns residuais 0,12% do total de processos terminados. Pelo contrário, 70% dos processos findaram em insolvências decretadas.

Luís Martins, advogado especializado em insolvências, admite as dificuldades em recuperar empresas por via judicial. "São poucas as empresas que conseguem aprovar planos de recuperação. E, daquelas que houve homologação do plano não significa que a recuperação tenha tido sucesso", explica.

Por regra, "estes planos de viabilização são elaborados pela empresa insolvente ou pelo próprio administrador de insolvência que não reúne todos os conhecimentos necessários para levar a cabo tal tarefa", frisa Luís Martins. Segundo João Duarte de Sousa, sócio da Garrigues e responsável pela Área de Prática Contencioso da sociedade de advogados, acrescenta que "o facto do gestor judicial nomeado pelo tribunal não conhecer e ignorar o negócio e o mercado em que a empresa actua, também concorre para a dificuldade em se alcançar a sua viabilização".

Para este advogado, a razão para tão baixo número de homologação de medidas de recuperação de empresas, resulta também "do entendimento que se tem sedimentado sobre os processos de insolvência, no sentido em que os mesmos visam sobretudo a liquidação do património do devedor e não a reestruturação do negócio".

Em 2008, o número de processos de insolvências terminados nos tribunais de primeira instância (4976) aumentou 28,5% em relação ao ano anterior. A esta situação não é alheia à crise económica que se desencadeou em meados do ano passado e que continuou em 2009, facto que terá incrementado o número de os pedidos de insolvências durante este ano. "Pelos processos que acompanho, verifico um aumento significativo, de empresas e de pessoas singulares, realidade bem mais preocupante", aponta Luís Martins.

O plano de viabilização da Qimonda, recentemente aprovado pela sua assembleia de credores e que prevê a transformação da sua designação para Nanium, apresenta-se como "um dos poucos exemplos de sucesso, que culminaram num processo de recuperação de uma empresa, a que não será estranho o envolvimento e empenho do Governo", ressalva João Duarte de Sousa.

Outro aspecto a reter diz respeito às desistências que se verificam nos pedidos de insolvência nos tribunais nacionais. Em cadaquatro processos entrados, um deles acaba por não chegar ao fim, ou seja, a ver decisão do tribunal. "A insolvência também se utiliza como arma de arremesso e, por vezes, o processo é utilizado indevidamente pelos credores para conseguirem, por esta via mais urgente, o que não conseguem via acção executiva (mais morosa)", sublinha Luís Martins.

(por Bruno Amorim, in "Jornal de Notícias", 6 de Dezembro de 2009)

sábado, 28 de Novembro de 2009

[CRÓNICA] Da minha aldeia

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo…
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura.

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

ALBERTO CAEIRO (Fernando Pessoa),
in "Guardador de Rebanhos"


A minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer...


A minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer...


Da minha casa no cimo deste outeiro...


Vejo quanto da terra se pode ver...


Vejo quanto da terra se pode ver...


Vejo quanto da terra se pode ver...


Vejo quanto da terra se pode ver...


Da janela do meu quarto...


Da janela do meu quarto...


Da janela do meu quarto...


Sou do tamanho do que vejo...

É por isto que eu gosto dos Vales.

António Manuel Martins da Silva
28 de Novembro de 2009

segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

Utilização do ginásio: a nova polémica dos Vales aqui em debate

A Direcção do CENTRO RECREATIVO DE VALES fez publicar, e afixou nos locais do costume, o aviso que segue.


Aviso

Muitos utilizadores habituais não estão de acordo. Volta assim a polémica sobre a utilização das instalações da antiga escola primária.

Nós, aqui no ValesCardigos.net, pensamos que chegou o momento de se clarificar definitivamente a situação. Diz o povo que “da discussão nasce a luz”, e afiançam os filósofos: “Per disputationem ad veritatem”. Que é como quem diz: “Pela discussão até à verdade.” (Pedro da Fonseca, 1528-1599, in Instituições Dialécticas)

Lancemos, pois, o debate. Respeitando as regras da boa educação, que pensam os nossos visitantes e leitores habituais sobre o assunto?

Os Vales aguardam, para bem da convivência, uma clarificação definitiva. Uma aldeia tão bonita merece que se faça luz.


Os Vales em 22 de Novembro de 2009